Afazeres do mês:
A estréia. Meu lançamento como autor teatral.
Comentários: Comédia Musical.
Toda quarta,
às 21 horas
no Bom de Canto.
CRÔNICAS
O Novo Véio
Ficou mais velho em dois tempos.
Sim, a velhice,
não a cronológica,
mas a associada à maturidade
e desgostos por doces,
lhe baixou e,
como um santo,
o tomou por inteiro.
O menino de 7 anos,
Que a tudo não ligava,
julgando levar o mundo por mãos que nunca vira,
mas que estavam lá,
foi dos 7 aos 70.
Aos sete, achava que tinha muitos amigos,
Demais, além da conta.
Nesta nova velha-idade,
se sabe só,
e nem se acha para ter o consolo de si mesmo...
Menino, ele achava que o amor existia
e era todo verdade, entrega e por do sol.
Caduco, descobriu que há, na verdade,
um certo respeito,
pena e, sim, algo de amor talvez,
pelo o que ele foi.
Perdido,
cansado,
moribundo e,
por que não,
Schopenhaueriano...
Envelheceu rápido demais para a idade.
E boa parte do que é,
é apenas vontade de morrer,
já que não há nada a se descobrir,
ou com quem dividir.
Nunca imaginou que pensaria isto da humanidade...
Porém, sim,
ele é obrigado a admitir...
Somos podres.
Todos.
E quem não acha
é apenas burro.
Mais ainda podre.
Se está velho, mesmo por dentro,
e prestes a morrer,
há, pelo menos nesta morte,
a esperança de que,
continuando morto, porém vivo,
não haja outro caminho a não ser
renascer e voltar a ter 7 anos.
E, quem sabe,
rebento de novo,
a humanidade não lhe pareça menos podre.
E os que pensam como ele, menos burros.